O disco

vinil

A vizinha veio mostrar, toda feliz. Comprara o LP do Ruy Maurity, que tinha o hit Nem Ouro, Nem Prata. De chumbo eram os anos 70, mas a gente não sabia disso. Subimos correndo a escada da sua casa, pegada à nossa. Ela aumentou o volume no máximo que a vitrolinha ordinária permitia. O chiado da agulha. Em seguida, a batida:

Eu vi chover, eu vi relampear

Mas mesmo assim o céu estava azul

Sabíamos a letra de cor. A felicidade era feita de vinil, meu bem.

Eu tinha nove anos; ela, uns treze. Ficamos amigas assim que se mudaram, ela e a mãe, para a vila. Rosana, seu nome.

Ouvimos a faixa à exaustão, nem quisemos saber do resto. E sua mãe chegou. Costumeiramente simpática e sorridente, naquele dia ela escalou, visivelmente cansada, o lance de escadas. Cumprimentou-me. Rosana abaixou o volume, beijou-a. Achei que era hora de voltar para minha casa, ainda tinha lição para fazer.

Mal terminara de descer os degraus, a música parou. Ouvi tapas e gritos. A Rosana estava apanhando. Pelo tom da briga, entendi. Quem mandara comprar disco? Onde já se viu gastar, sem autorização, o ouro suado, a prata rara?

Desacelerei o passo, enrolando para chegar ao meu portão, a menos de cinco metros dali. O ouvido em pé, o coração apenado. Quis voltar lá, defender minha amiga. Mais gritos, mais tapas. Melhor não. Fechei rápido meu portão, subi as escadas e sumi quintal adentro.

Ontem a música, tão esquecida quanto minhas vizinhas, tocou na rádio. A lembrança surgiu num átimo, e ficou girando na minha cabeça feito disco riscado. Por onde elas andariam?

Nunca apanhei. Quer dizer, já tomei (ao menos) um grande tapa. E já tive que devolver uma coisa que comprara sem permissão. Nunca levei surra, no entanto. Nem quando desenhei com canetinha na parede da sala. Ou quando tomei todos os Yakults de uma vez e jurei que não tinha sido eu. As infrações da minha infância estavam sujeitas a um código penal bem mais camarada.

Não me recordo dos dias que se seguiram. Se fui procurar a Rosana para saber se estava tudo bem. Se sua mãe ficou brava por muito tempo. Se tornamos a ouvir o disco, pivô da sova. Tempos depois, elas se mudaram dali. A vida na casa 1 era assistir vizinhos chegando, vizinhos partindo. E a gente ficando. Isso dá música.

Só sei que naquele dia choveu e relampeou feio na casa 2. Mas mesmo assim o céu na nossa pequena vila estava azul. Fui fazer minha lição. Que a Rosana havia, por torto método, aprendido a dela.

Três não é demais

orelha

Nina quis saber por que tenho três furos na orelha direita e só um na esquerda. Então a história, guardada em um buraquinho da minha memória, saiu para passear.

Naquele dia, voltei da escola decidida. Na manhã seguinte, os colegas me veriam com furos extras nas orelhas. Um eu já tinha. Os originais, feitos quando eu era bebezinha.

Certifiquei-me de que estavam todos ocupados em casa e rumei ao quarto da minha mãe. Afinal, para que recorrer à farmácia, gastar dinheiro, se agulha e um pouco de álcool bastariam? Eu era rústica e não sabia.

O álcool foi fácil. Peguei o que a gente usava na limpeza da casa – crente de que ele exterminaria qualquer bactéria mais atrevida. A agulha veio direto da caixinha de costura da Dona Angelina.

O plano: dois novos furos, um em cada orelha. Comecei pela direita. Providenciei a assepsia, ensaiei, respirei fundo. Segurei firme a agulha, mirei e pá.

A dor, completamente fora do meu script particular, não foi proporcional à profundidade que o artefato atingiu. A agulha entalou. Já não podia retirá-la facilmente, mas ela também não atravessara o lóbulo. Olhei-me no espelho. Tão pouco juízo para quinze anos. Se alguém entrasse no quarto, diria que estava em uma sessão de acupuntura, andava com enxaqueca. Desculpa furada?

Nina, a caçula, ouvia tudo com atenção. Ela, que nem bem chegara ao mundo, também teve suas mini-orelhas furadas. A madrinha assumiu a missão afetiva de acompanhá-la no rito ancestral. Apesar da bravura dos tempos idos, eu não reunia condições de ver meu próprio rebento sendo espetado.

Segurei o choro e empurrei a agulha um tiquinho mais, piorando significativamente a situação. Sangue, dor e agulha entalada. Perguntei à Silmara do espelho onde é que ela havia se metido. Não houve resposta. Pedir ajuda? Vô Paschoal, no quintal, viria em socorro da neta, não sem esbravejar com bom sotaque italianado. Sempre que ficava muito bravo ou muito alegre, as origens do velho torcedor do Palestra ressurgiam. Correr para a farmácia do Archimedes? Levaria um polido sermão do polido farmacêutico, “Sua mãe sabe disso, mocinha?”. Lançar tendência com a agulha, antecipando a moda do piercing? Ou migrar para o país do espelho, feito Alice? As dúvidas da minha adolescência não foram tão clássicas.

Comecei, então era preciso terminar. Foi quando me lembrei que, nas farmácias, a coisa era pá-pum. A pessoa piscava e já estava de brinco. Decidida, prendi a respiração e Deus – que usa um brinquinho maneiro, reparem – tomou conta do resto. Encerrei a furação, certa de que não havia absolutamente nada estranho em se ter dois brincos numa orelha e um na outra.

Evidentemente, infeccionou. Bronca, pomada, curativo. E os brincos tiraram férias por um bom tempo.

Taurinos são conhecidos pela teimosia. Se um furo em cada orelha era pouco, dois também, e três não seriam demais. Assim que cicatrizou fiz nova investida. Não a fim de regularizar a situação da orelha esquerda, mas para conquistar o terceiro furo na direita. Que dois é para os fracos.

Escolada, utilizei o mesmo expediente da primeira vez, com o infalível método do pá-pum. Evidentemente, infeccionou também. Bronca, pomada, curativo. E, de novo, férias para os penduricalhos.

Mais tarde, fui ler sobre auriculoterapia. Soube que as orelhas têm meridianos por onde circulam energias, e uma mal planejada intervenção nelas pode causar uma série de problemas. Deve ser por isso que eu tenho uma série de problemas.

Sendo assim, por saúde e certa preguiça, acabei desistindo de estabelecer a simetria nas orelhas. E gostei assim.

Por isso que eu tenho três furos na orelha direita e só um na esquerda, Nina.

Eu, panfleteira

jeans

Omiti de meus empregadores, ao longo da vida, importante experiência profissional. E só agora me dei conta. Não está no curriculum vitae, nem na minha página do LinkedIn. Eu mesma já a havia apagado de meu portfólio mental de realizações. Lembrei dia desses, quando uma garota veio entregar folhetos no semáforo.

Desci o vidro. Apanhei o papel, novos apartamentos na cidade. Deitei os olhos sobre ela, enquanto o sinal não abria. Cabelos longos, pretos, magrela – “pau de virar tripa”, diria minha avó. Vi-me nela, trinta e cinco anos atrás. Sim, eu já fiz panfletagem nas ruas de São Paulo.

A amiga do colégio, parceira de pequenas, médias e grandes aventuras, arrumara um bico para nós duas. A gente não queria umas roupinhas novas? Trabalho para depois das aulas no Liceu, à tarde. Coisa tranquila. Ou nem tanto.

Apresentamo-nos na data e hora combinadas, munidas de tênis confortáveis. Sobre os planos da minha amiga não sei, mas eu tinha um objetivo claramente definido: queria comprar uma calça Levi’s.

O serviço era, basicamente, espalhar folhetos pelo bairro. Casas, carros estacionados, padarias, lojas. Um por vez. Sim, senhor. Não pode jogar no chão. Sim, senhor. Nenhum folheto sobrando no final do dia. Sim, senhor.

Primeiro quarteirão. Quilos de folhetos nos braços. O bairro de Santana, de ônibus, parecia mais plano. Mas eu estava radiante. Inserida no mercado de trabalho, ganhando meu próprio dinheiro com o suor do rosto que, literalmente, começava a brotar. A Levi’s esperava por mim.

Com disciplina militar aliada ao esmero feminino, seguíamos caprichosamente depositando os folhetos nas caixinhas de correspondência das residências, nos para-brisas.

Segundo quarteirão. Os folhetos pareciam ter se multiplicado, em peso e tamanho. De quê eram, jamais me lembrarei. Deixando o capricho de lado, passamos a enfiá-los, do jeito que dava, nas grades dos portões e sob os limpadores dos carros.

A timidez nos levou à primeira não-conformidade na execução da tarefa: com vergonha de adentrar as padarias e lojas para deixar os folhetos, fizemos breve reunião de equipe na calçada e resolvemos eliminar essa etapa do roteiro. O que nos fez andar mais. Quis desistir. Mas tinha a Levi’s.

Terceiro quarteirão, ladeira acima. Descobrimos que se fossem dois folhetos por para-brisa, terminaríamos antes. Quem perceberia?

Quarto, quinto, sexto quarteirão. Os folhetos não acabavam. Ganhavam vida em nossos braços. Agora eram cinco em cada portão, dez em cada para-brisa. Sétimo, oitavo, nono, décimo. Pra quê portão? Era só atirar os folhetos nas garagens, os moradores veriam do mesmo jeito.

Exaustas, dobramos a esquina e avistamos um cesto de lixo. Bastou um olhar entre nós. Anjos empoleirados nos muros ao longo da rua, todos vestidos com Levi’s, trombeteavam o final do expediente.

Dia seguinte, fomos acertar o pagamento pelo dia anterior e rescindimos unilateralmente o contrato de trabalho. Minha alegação: aos dezesseis anos, não tinha perfil para a função. Não estava alinhada com a filosofia da empresa. Queria novos desafios, sobretudo que não me fizessem andar tanto. A Levi’s ficou para depois.

Cinco anos depois daquela tarde de panfletagem, já na faculdade, consegui um estágio remunerado. Que fiz com o primeiro salário? Torrei num jeans.

A garota do sinal ofereceu seu folheto ao motorista do carro azul, que recusou com gentil aceno. Determinada, investiu no carro de trás, que também declinou. Sorrindo, fez nova tentativa com o táxi ao lado, que aceitou. A persistência é uma calça velha, azul e desbotada.

Que cor?

esmalte

Nunca antes na história deste país houve tanta cor de esmalte.

Na manicure moderninha os vidrinhos ficam expostos em prateleiras embutidas na parede. Organizados por cor, formam uma hipnotizante escala Pantone e causam-me palpitações. A felicidade tem secagem ultra-rápida, meu bem.

Mamãe quase não fazia as unhas. Além da grana curta para ir ao salão e da absoluta falta de tempo, o trabalho na venda não colaborava. Moer meio quilo de café, fatiar cem gramas de mortadela, pesar um quarto de feijão, lavar dúzias de copos do bar. Mãos que não paravam nem por um minuto. Pra quê enfeitá-las, se não durariam até os fregueses do dia seguinte?

Quando dava, dona Angelina gostava de usar um tal Zazá, espécie de lilás. Às vezes, ia de Misturinha, de tom vago, indefinido. Tudo clarinho, sempre. Nunca a vi com Rebu, o sanguinolento. Lembro da pequena vitrine sobre o balcão na farmácia do Archimedes, achava lindo aqueles vidrinhos todos enfileirados. Mas criança não pintava as unhas, tirante as brincadeiras.

Faço as minhas toda semana, no salão. Um exagero, de acordo com o marido. Incompetência para a automanicure, na minha avaliação. De vez em quando, levo meus próprios esmaltes, compulsivamente colecionados a cada ida à farmácia ou ao supermercado. Assim compenso, eu sei, os flertes proibidos da infância. Guardo-os em uma caixa, e me divirto escolhendo o tom da vez.

A gente deveria poder guardar as mães em vidrinhos, também.

Enquanto lixa minhas unhas, a manicure quer saber: “Que cor você vai passar?”. Como desta vez não trouxe nenhum do meu acervo particular, avalio o círculo cromático disponível e ensaio pedir um que se chama Café, de marrom fechado e profundo. Para relembrar as vezes em que minha mãe chegava em casa à noite, depois do trabalho. Ela me abraçava e eu sentia o cheiro das suas mãos, impregnadas de pó. E cansaço.

Mudo de ideia e, ajeitando minha mão direita sobre a toalhinha branca, anuncio: “Cor de saudade”.

Mande lembranças

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arte: Rodvaz

Quando Fulano pediu a Beltrano que mandasse lembranças a Cicrano, Beltrano não sabia a quais, exatamente, Fulano se referia. Ninguém sabe essas coisas.

Seria a do último Natal que passaram em família, antes de o patriarca endoidar e resolver botar as pedras no bolso do casaco, e cujo resto da história só se soube no dia seguinte, quando Joca, o cachorro, latiu feito besta na beira do rio?

Ou, quem sabe, a lembrança dos tempos em que eram, os dois, irmãos inseparáveis, feito unha e carne, feijão e arroz? Um na pele do Homem Aranha e outro na do Batman, roubando os doces da mesa antes dos parabéns na festinha da prima.

Ou, então, aquela de quando, morando no velho casarão, brigaram feiamente por causa da gata de um que papou, feliz da vida, os canários do outro?

“Mande lembranças a Cicrano, quando o encontrar”. Pode ser que Fulano quisesse apenas lembrá-lo de que ele jamais o perdoara pelas botas – legítimas Stetson de bico quadrado e salto carrapeta que ele comprara com o salário de dois meses como empacotador no mercadinho – surrupiadas para ir ao baile do caubói da cidade, e nunca devolvidas, e que na ocasião Cicrano acabou beijando Mariana, o grande amor de Fulano. Por beijá-la ele até poderia perdoá-lo; pelas botas, jamais.

Beltrano ainda fala com os dois. É a ponte familiar, carcomida pelo tempo e que ninguém se atreve a atravessá-la. Beltrano, o portador de boas e más novas. O verbo de ligação. O irmão do meio, literalmente. Nunca mais se reuniram, os três. E não foi por causa de gatos, nem botas, nem gatos de botas.

Muitos mandam lembranças a alguém apenas para lembrar que ainda existem. Espécie de lembrete, “Ei, estou aqui”. Outros vivem mandando lembranças a esmo. Como frase vazia, a completar uma despedida banal. Por falta do que dizer. Para preencher de algum som o ar, vazio de assunto. Que pecado. Lembranças não deveriam ser enviadas em vão, eis um bom mandamento. O décimo-primeiro, quem sabe.

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arte: Mariesa de la Rosa

 

Procuro professor de piano. Que more pertinho, para eu poder ir e voltar a pé. Que dê aulas em sua casa, numa sala toda janelada e de cortinas amarelas, dando para uma varanda iluminada de sol e clave. Ipê branco e jabuticabeira carregada no quintal são itens desejáveis no seu currículo. E que tenha gato ou cachorro. Ou calopsita. Hamster, coelho, tartaruga, furão, iguana, salamandra, porquinho-da-índia. Pode ter peixe, também. O problema dos peixes é que não dá para conversar com eles.

Que, num dia friorento, interrompa a aula e diga “Fiz sequilhos”. Que, se acaso eu estiver bem cansada, feche o piano e me mostre sua coleção do Calvin & Haroldo. Que não ria quando eu perguntar se vai demorar muito para tirar School, do Supertramp. E que nunca, jamais, em hipótese alguma, me faça solfejar.

Que tenha sempre disponíveis e fresquinhos: café, bom humor e paciência. Que traduza com leveza o significado de todos aqueles símbolos esquisitos que a gente vê nas partituras. E que também nunca, jamais, em hipótese alguma, questione por que resolvi aprender piano agora, aos 50. (Pensando melhor, que questione, sim; assim falaremos longamente sobre como as pessoas podem passar a vida inteira sem ir atrás do que amam sem ter, contudo, justificativa razoável para tal.)

Que me conte da vida dos autores clássicos como se os tivesse conhecido e fossem, Rachmaninoff, Debussy, Villa-Lobos, todos seus chapas. Que não tenha dó, nem ré, de mim, se eu não alcançar as notas porque meus dedos são curtos. Mas que vibre comigo quando eu, lá na frente e de surpresa, tocar algo e ele identificar, de primeira, o que é.

Que num dia, do nada, um poema meu caia em suas mãos e ele diga, eufórico: “Isto dá samba”. E que a coisa acabe virando bossa-nova, e a gente se divirta muito vendo nascer som das palavras que plantei no papel.

 

A química de Chico

átomo

Aos 15, eu vivia zerando nas provas de química. Passei de ano por encanto. Ao final de um semestre, fizemos amigo-secreto na classe. Quem me tirou? O professor de química. Ganhei dele Almanaque, do Chico Buarque. “Então, ele não me odeia”, concluí. Ouvi o LP até furar, decorei todas as letras. Decorar a tabela periódica, que era bom, nada.

Na mesma escola, em uma aula de português, dissecamos a letra de Construção. Eu, que até então me limitava a achar interessantes aqueles versos terminando em proparoxítonas, naquele dia descobri que havia neles muito mais. Elemento poesia combinado com elemento social. Química de Chico.

Aprendi que, na vida, a música é mais necessária que a química. A quem a gente recorre, nos encontros com os amigos, quando se está apaixonado, quando se está na fossa, na corridinha no parque, nas longas viagens de avião? Aos metais, não-metais e actinóides é que não. Nunca encontrei oportunidade para aplicar nenhuma fórmula química. Sei a da água, porque é famosa. A música? Uso e abuso.

A química, verdade seja dita, é onipresente. A cada vez que faço um bolo ela está lá, toda exibida. Não preciso, porém, saber os detalhes que fazem o quitute crescer fofo e cheiroso. Só devo tirá-lo do forno na hora certa, e comê-lo ainda quentinho, com café recém-coado. Ouvindo música, de preferência.

Ao lembrar das histórias, dia desses, preocupei-me. Que professor, hoje, dá disco do Chico a um aluno seu (mesmo que ele vá mal na matéria)? Está certo que nem se usa mais dar disco. Porque não se consome mais música como no meu tempo do colégio. Lembrei: a capa de Almanaque é um calendário. Calendário é uma espécie de tabela periódica. Teria sido uma indireta do meu professor?

Ontem, na volta da escola, a Nina contou que estão ensaiando A Banda. Sacou de seu caderno a letra, e veio o caminho todo cantarolando. Nina, pequena mulher em construção, quis saber quantos anos o Chico Buarque tem. “Acabou de completar setenta e três” – respondi. O número atômico do Tântalo.

Pela janela do carro, vi a tarde ensolarada do quase morno inverno desta cidade. E sorri, aliviada.