Cavalo dado…

Arte: Gustav Klim
Arte: Gustav Klim

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia. A TV Jockey é um deles.

Quem assiste?

Sempre que zapeio e passo pelo canal 2, tudo que vejo é a sonífera imagem de uma câmera estática e dois ângulos distintos, igualmente monótonos. Cavalinhos correndo. Cavalinhos correndo. Nem áudio tem; um relincho sequer. Eis o resumo da programação. Turfe deve ser bom para adormecer bebês.

Qual é a charada por trás dos derbies televisionados?

Talvez sejam mal-intencionados alienígenas que, infiltrados nesse esporte, estão empenhados em dominar nosso planeta através dos meios de comunicação. Basta analisar os nomes dos cavalos: Sabor a Triunfo, Undostais, Gandalf The Grey.

Pode ser que, no fundo, tudo não passe de uma seita secreta, cujos membros se comunicam por códigos – trifeta, quadrifeta – que só os iniciados entendem.

Estou quase convencida, porém, de que há uma mensagem subliminar no negócio, cujo objetivo desconheço. Mudo rápido de canal, receosa de viver uma experiência do tipo Poltergeist, onde espíritos do mal relincham e dão coices.

Tais elucubrações me levam ao passado. Em 1876 o Jockey Clube de São Paulo realizou seu primeiro páreo no Hyppodromo Paulistano, no bairro da Mooca. Nasci ali. Na minha época, no entanto, ele já não existia mais. Só restou o logradouro, batizado em sua homenagem: rua Hipódromo. (Embora o hipódromo não ficasse nela, e sim na rua Bresser.) Cavalos, ali, só os das eventuais carroças; os primos pobres das celebridades equinas de outrora.

Não sei de ninguém que assista a TV Jockey. Também não conheço, nem nunca ouvi falar de alguém que tenha o hábito de apostar em cavalos. É uma categoria de seres similar à dos ganhadores da Mega Sena e dos sorteados com carros e casas. Eles existem, embora nunca tenhamos visto um.

O canal, presente em meu pacote de TV por assinatura, é insondável mistério. Nem adianta querer removê-lo da grade. Cavalo dado não se olha a audiência.

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3 comentários sobre “Cavalo dado…

  1. Olha Sil, as vezes íamos dar uma volta lá no Jockey, é um lugar gostoso para passear, arborizado e aos finais de semana as crianças podiam andar a cavalo, além de ve-los de perto.Em um desses passeios fizemos algumas apostas (na lanchonete mesmo) e é super divertido assistir e torcer. É claro que as apostas eram muito pequenas, já que não tínhamos a minima ideia de qual cavalo tinha alguma chance. Mas lembro de uma casa de apostas oficial do Jockey na Rua Orville Derby (acho que ainda estava lá na época da FAAP). Era pertinho da casa da minha mãe, caminho para chegar a Rua da Mooca. Ficava cheia de gente (a grande maioria homens e já com mais idade), apostando nos guichês e assistindo os páreos pela TV (será que já era a TV Jockey?). Beijão!

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  2. há clubes de apostas,e bookmakers que recebem e pagam as apostas aqui no Brasil,,a tv jockey é sustentada pelo dinheiro dos jogadores compulsivos que torram suas vidas lá….então podemos dizer; à cavalo dado não se olham os dentes ,mas,quando eles já chegam mancando…

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