Abraço. Ou quase beijo

Era uma vez uma cidade. Na cidade havia uma avenida. Na avenida tinha um canteiro. No canteiro, duas árvores. Mais exato: duas palmeiras. Que cresceram juntas. Não só juntas, mas entrelaçadas. E, não se sabe desde quando, as palmeiras da avenida vivem num eterno abraço. Na verdade, ninguém sabe se é abraço ou quase beijo.

Irmãs, talvez elas se abracem para se proteger da cidade, do barulho, da bagunça. Amantes, talvez se enlacem para ensaiar o beijo. Que jamais acontece. Como se, a despeito da vida correndo ao lado delas, elas vivessem em pause. Igual a gente faz quando assiste um filme, se queremos ver os detalhes de uma cena, precisamos beber água, atender o telefone, ouvir o que o filho quer.

As palmeiras da avenida são estátuas talhadas em madeira, como aquelas pessoas pintadas de branco imitando estátuas no sinal. Com algumas diferenças. Primeira: o tipo de seiva que corre dentro de cada uma. Segunda: palmeiras, assim como todas as árvores, não nos pedem dinheiro. Não precisam.

Quando a cidade cochila, por certo as palmeiras da avenida se largam por alguns instantes. Dão uma volta, vão conversar com as amigas ao longo do canteiro. E logo retornam aos seus postos.

Para assistir ao abraço – ou quase beijo – das palmeiras é preciso apertar outro botãozinho no controle remoto que comanda a vida: o da câmera lenta. Assim se vê melhor as coisas.

(Campineiros em slow motion podem assisti-las na avenida Júlio Prestes. Pertinho do Balão da Bela Vista. Foto: Silmara)

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11 comentários sobre “Abraço. Ou quase beijo

  1. Lindo!Nossa vida é um filme,que quando necessário é preciso câmera lenta.E se podéssemos,gostaria de dar pause pra que os momentos inesquecíveis fossem como o velho ditado:”eterno enquanto dure”.Até…

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  2. São grandes amigas, certeza. Porque nada é melhor que um abraço demorado e carinhoso de um amigo. Um abraço com o coração, com cabeça debruçada no ombro e bochecha pedindo beijo. Daqueles que dão força pra gente continuar nessa correria…

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  3. Silmara,

    Quando coloquei um link pro seu blog no meu post não imaginava sua ilustre visita. Vi aquele texto seu linkado em vários outros lugares, é realmente incrível, como tudo aqui, aliás.

    Espero que visite mais vezes e que goste!

    abraço

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  4. ORGULHO DE CAMPINAS!
    Oh cidade q adoro! rs
    e concordo com Álvaro, elas se beijam qdo a cidade cochila, rs
    linda foto, Silmara, ainda mais pq vc focalizou mto bem… parabéns, pra quem conhece, nosso parque da lagoa do Taquaral bem atrás!

    bjs
    da Li

    e ótima semana…

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  5. Só para variar, nos emocionando, não é, Silmara?
    Bom demais saber que o “câmara lenta” ainda é lembrado por alguém; que eu o aperte todos os dias, sempre.

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  6. Que crônica gostosa de ler! E assim é. Só com o botão da câmera lenta é possível ver melhor as coisas, pudera eu dominar esse botão.

    Reflexão maravilhosa, faz-nos refletir tanto através de palmeiras talvez pouco notadas. Amei

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