O bigode do gato

gato-bigode
ilustração: Laura Hughes

Súbito, o gato interrompeu a soneca, esticou o pescoço. Empinou o focinho, cerrou de leve os olhos e investigou o vento.

Bife fritando ou dono chegando? Chuva vindo ou cachorro passando? É pelo vento que os gatos se informam. O vento traz as notícias que ainda não foram publicadas. Equipados com bigode-antena, eles ficam sabendo antes.

Eu não sei decifrar vento. Não entendo o que diz. Perdi essa capacidade quando passei a calçar sapatos, vestir roupas e comer comida de pacotinho.

Gatos não usam sapatos, nem roupas. E, embora a maioria coma ração, que vem em pacote, ainda assim mantêm a conexão primitiva com o universo. Eu não sou conectada ao universo – exceto quando estou com meu smartphone. Está claríssimo de onde vem o gê de 4G.

Quando era criança, aprendi na aula de ciências que vento é ar em movimento. Bah! Definição mais pobre. Vento é mais que isso. É por ele que Gaia nos conta as novidades, faz súplicas, avisa dos perigos. O vento é a mensagem.

Gatos já nascem sabendo disso, sem ninguém nunca lhes ter ensinado. Certamente, são os bigodes. Ah, o que eu não faria se também tivesse bigodes superpoderosos.

Desta vez, aparentemente não era nada importante. O bichano voltou à soneca.

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3 comentários sobre “O bigode do gato

  1. Eu amo gato, nasci com gatos e vivo com eles…São os melhores amigos, companheiros que existem…o bigode é a antena deles e nossas antena são nosso cabelos, cabelo longos antena longas….abração de luz pra ti.

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