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Teste: saiba tudo sobre qualquer coisa

Não sei o que seria de mim sem os testes das revistas e sites femininos.

Sem eles, eu jamais seria capaz de saber se tenho “conexão emocional” com o meu parceiro. Ou então, qual é o meu estilo. Se consigo reconhecer uma colega traíra. Com qual das quatro personagens de Sex and the city eu pareço. Se sei a idade real da minha pele e por qual deusa sou regida. Qual é minha verdadeira personalidade sexual: “promissora, tradicional, romântica, cerebral, carnal ou impetuosa” (eu nem imaginava que existiam tantas categorias; achava que a coisa era bem mais simples). Se sei administrar meu tempo. Embora para quem se disponha a respondê-los a resposta é simples: não.

Minha vida mudou depois que descobri: estou mais para Jennifer Aniston do que para Angelina Jolie. Difícil foi convencer o marido. A vida ficou também infinitamente mais fácil. Posso responder os testes online, o que me poupa de comprar e rabiscar a revista. Ou então, ter que arranjar um papel na bolsa para anotar as respostas, quando a revista não é minha, mas do cabeleireiro. Sem falar que algumas tabulações só podem ser feitas com a ajuda de uma planilha do Excel, dada a complexidade das orientações (“Marque um ponto para a questão número 1, se a resposta for ‘a’; dois pontos se for ‘b’…). No site, não é preciso fazer nada disso, o veredito é automático. Sorte minha, que nunca fui chegada a fazer conta.

O único problema é quando nenhuma das alternativas representa, nem de perto, a minha resposta. Desisto de continuar o teste, já que o resultado pode ficar prejudicado. Tenho medo de ficar sem saber quem eu sou. Deus me livre não poder afirmar, com exatidão, se sou uma gata selvagem ou uma princesa romântica. Não saberia conviver com essa dúvida.

Foi uma amiga que contou. O resultado do teste da revista a que ela se submetera fora bem claro: era mais do que hora de reivindicar uma promoção no trabalho. Decidida, marcou uma reunião com o chefe. Segunda-feira, quatro da tarde. Depois de quinze minutos, deixou a sala, cabisbaixa. Não só não faturou a promoção, como acabou sendo transferida para um setor que ela detestava. Faltara-lhe um cuidado básico: ter feito outro teste antes, para saber que tipo de chefe era o seu.

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