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Run, Forrest, run!

Ilustração: r8r

Se o bonitão com quem você está saindo perguntar se você curte o som do “Simple” Red, corra. Simplesmente. E, se o mesmo bonitão lhe convidar para um “jantar harmonizado” no “espaço gourmet” do apartamento dele, corra também. OK; tome uma taça de vinho antes. Depois, se mande.

Se o pediatra do seu filho afirmar que você deve levar o pequeno de volta à cama dele, a cada vez que ele vier para a sua, de madrugada, corra.

Se na hora de contratar alguma coisa, qualquer coisa, alguém lhe disser que tem um “serviço diferenciado” e você contará com uma equipe “altamente qualificada”, corra.

Se ao negociar uma proposta de trabalho você não vá ser remunerado, mas terá “muita visibilidade”, corra.

É como diz a Jenny ao Forrest Gump, no filme: quando o perigo desponta, o melhor é dar no pé, cair fora, se pirulitar. Também vale para a chatice. A fuga salva.

Se o mote da campanha do candidato a deputado prometer “pulso firme” ou “um novo jeito de fazer política”, corra. E, se o nome dele for algo como “Paulo da Farmácia” ou “José do Açougue”, nem adiantará correr. Anule.

Se seu cabeleireiro tentar lhe convencer a fazer um corte igual à não-sei-quem da novela não-sei-qual, corra. Se tentar lhe empurrar uma progressiva “sem química”, idem. Aliás, o que você está fazendo nesse lugar?

Se a clínica de estética oferecer lipoaspiração sem cirurgia, nem dor, corra. Corra muito. Quem sabe, assim, você acabe não precisando fazê-la.

Se a vendedora lhe disser que aquela calça está “super na moda”, ou se lhe contar que vendeu duas, só pela manhã, corra.

Se a liquidação anunciar estupendos descontos de até 70%, corra. Para bem longe. Principalmente, se for verdade. Visando o bem, no caso, do seu bolso.

Se um pesquisador de campo ou uma demonstradora lhe abordar no shopping, jurando por Deus que são só cinco minutinhos, corra.

Da menor à maior necessidade, da micro à macromotivação, todos sabem: correr faz bem à saúde.

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