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E agora, José?

Arte: Filipe Saraiva
Arte: Filipe Saraiva

Ando preocupada com José. José sumiu. Foi embora. Ninguém mais batiza em sua lembrança. É nome em extinção. João até que tem se virado bem. Que será que houve com a humanidade brasileira? Não será mais ele – o carpinteiro, companheiro de Maria – assim tão bonito para o RG?

Na praça de alimentação do shopping há uma mãe tentando convencer o Artur a comer a escarola. Na sala de espera do pediatra tem sempre um Gabriel mais danadinho, dando cambalhota na poltrona. E a lista de chamada do maternal lança mão dos sobrenomes para identificar tantos Enzos. O Zezinho, quedê? Faltou.

De eras em eras a moda ressuscita velhos nomes para novos bebês. É um tal de Joaquim, Valentina e Tomás em porta de quarto nas maternidades. Só o José não dá mais o ar da graça nas certidões. Até o Luís ressurge, sempre ao lado do Eduardo ou do Felipe ou do Henrique. O José, coitado. Nem só, nem acompanhado. Acabou.

José é dos poucos que não causam confusão na hora de escrever, posto que a ele não cabe variação. Facilita a vida em seu minimalismo sonoro, combina com os outros, é da paz. E acordo ortográfico nenhum, nem em mil anos, há de derrubar seu acento. A razão do seu declínio é uma incógnita contemporânea, uma charada nominal.

Volta, Zé! As Marias, ainda que Eduardas ou Fernandas, precisam de você.

O mundo também.

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