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A oliveira e o jatobá

Ilustração: Bruno Veloso/Flickr.com

Eu não sei como é a oliveira. Só sei que vem dessa árvore a azeitona. E que dela se extrai o azeite. Sei também que, desde tempos de outrora, ele é muito mais que o óleo venerado na gastronomia. Não foi no Monte das Oliveiras que Jesus viveu seus últimos dias?

Nunca vi um pé de jatobá. Se já, não o reconheci. Nas cidades, ninguém tem muito o costume de saber o nome desta ou daquela árvore. Nem para quê elas servem, além da fotossíntese. Às vezes, sinto falta de saber mais sobre as plantas todas.

À primeira vista, todas as árvores são meio parecidas. Mas é só à primeira vista. Reparando bem, cada uma tem um fruto diferente, uma folha característica, uma flor que é só sua. E, acima de tudo, um nome que é só seu.

Ao contrário de gente. Um mesmo nome pode batizar duas pessoas. Não sendo isso garantia nenhuma de que elas serão iguais, nem que os caminhos de ambas serão os mesmos – embora eles possam se cruzar em algum momento.

Árvores, seja a oliveira, seja o jatobazeiro, nascem e morrem no mesmo lugar. Por causa das raízes. Com gente, que também tem raiz, só que invisível, não é assim. Gente, desde pequena, sabe andar. E é uma pena que não saiba voar.

Árvores, tanto a oliveira quanto o jatobazeiro, frutificam. Mas árvore não chora a perda de um fruto. Gente, sim.

As sementes das árvores, de tanta beleza que têm, se caem e encontram a terra, não morrem. Serenas e pacientes, ficam aguardando a estação propícia para brotar. Já para a semente de gente, tão bela quanto, um tombo pode ser fatal. Mas é possível que ela, querida como é, brote novamente. Quem sabe, na próxima primavera.

Para Isabella Nardoni