Crônica de minuto #56

Pizzaria nova no bairro, do amigo de meu pai. A amizade era grande e ele até emprestara seu talento publicitário, sugerindo o nome e desenhando a logomarca para o lugar.

Assim que abriu, fomos. Prestigiar a amizade e a placa na entrada, de co-autoria do seu Tonico.

Elogiadas as instalações, dado o dedo de prosa com o dono-amigo – que veio, orgulhoso, cumprimentar todos à mesa – , avaliado o cardápio, pedidas as bebidas, era a hora. “Vamos escolher?”. Pensa daqui, pondera dali e, com pleno exercício da democracia, chegamos à eleita: quatro queijos.

Pizza chega, a família se entreolha.

Cada quadrante estava preenchido por um dos quatro recheios, separadamente. Ao nordeste, a mussarela. No sudeste, provolone. Ao noroeste, o catupiry. No sudoeste, parmesão. Separados pela fronteira imaginária estabelecida pelo pizzaiolo, os queijos não se falavam. Não rolou a orgia queijística a que estamos acostumados. Nem o sincretismo laticínico. Era ado, ado, ado, cada queijo no seu quadrado.

Redondo, no caso.

Anúncios

2 comentários sobre “Crônica de minuto #56

Quer comentar?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s