O blog foi ali e volta já.

Queridos e queridas

O blog vai tirar um mês de férias, voltamos em junho. Aproveitem para ler as antigas.

Até lá, vou dando as caras no Facebook.

Beijos!

Crônica de minuto para quem tem gato

Arte: Peter Neish

Arte: Peter Neish

Entro no banheiro, ele vem junto. Gato gosta de acompanhar o dono nesse destino. É seu favor diário. Fica ali, roçando a quina do armário e investigando um fiapo de qualquer coisa, caído ao lado do cesto de roupas. Amante de espaços mais amplos, é na limitação azulejada do dois por dois que um gato mantém a relação com seu dono em dia.

Ele pede colo, eu dou. Ele não quer saber o que estou fazendo ali sentada. Um colo é um colo.

É noite. Aviso-lhe: “Amanhã é mais um dia”. Antevejo a rotina de afazeres, deduzo acontecimentos; ele não. A repetição dos dias não o incomoda. Também não o seduz. Gato é atemporal. Melhor: proprietário de seu tempo. Todos os eventos mundiais cabem em uma lambida na pata.

Ele salta à pia. Encara o espelho e conclui: não há outro mundo dentro dele, Alice estava enganada. Ensaia uma espécie de capoeira com a bolinha de papel amassada que larguei ali. Não preciso da bula do hidratante, mesmo. Esse horóscopo testado dermatologicamente, a informar que o tempo correrá macio a partir de agora. Fiz aniversário, o presente já começou. Gatos vêm do futuro?

Ele desce. Ouve algo lá fora, que meu ouvido humano não capta, e se prepara para uma eventual defesa. Ele enxerga, escuta e se move melhor que eu; é de admirar que seus ancestrais não tenham dominado o mundo.

Inicio o banho, ele se enrodilha  sobre o tapetinho. O som da água é sua canção de ninar. O vapor morno faz seus pelos negros brilharem. Desligo o chuveiro, saio do box e pulo o tapete para não incomodá-lo em sua soneca.

Ele finge que dorme. Observa, olhos semicerrados, meu ritual pós-banho. Todo gato é um voyeur declarado e preguiçoso.

Ele fica comigo até o fim. Saio, ele sai também. E não sei mais quem acompanhou quem.

Tachados e perdidos

Moda é religião: cada um tem a sua, e todas costumam levar ao mesmo lugar. Com frequência, é divisor de opiniões e águas. Quase sempre, é bobagem discuti-la. Ou não.

Para o ano que corre, tudo indica, bíblias fashionistas providenciaram um adendo, ensaiado há algum tempo. Há no ar um novo mandamento sendo cumprido à risca pelos fabricantes de roupas, calçados e acessórios em geral, que juram ter ouvido Deus proferir, n’alguma fashion week: “Usarás tachas”.

Até a próxima estação, fiéis incautos obedecerão e irão ter com blusas, calças, saias, camisas, coletes, carteiras, cintos, tênis, botas, chinelos – os mesmos modelos do ano passado – , agora todos encrustados com alguma variação do adereço, a lhes conferir o ar afinado com a tendência. Ninguém quer ficar de fora.

Experimento um vestido e lá estão elas, as tachas. Flerto com um par de sapatilhas e lá estão eles, os spikes. É assim que as tachinhas pontiagudas se chamam, aprendo. Enquanto amplio meu dicionário de moda, sigo tentando adquirir uma peça livre deles. “A estrada é longa, o caminho é deserto”.

Inútil fugir. A invasão é maciça. A indumentária rebitada, claramente inspirada no universo rocker e punk, está presente no short da mocinha que vai ao pagode segurar o tchan. Na anabela da carola presente na missa das sete. No biquíni da professora de ciências. Na “gente humilde, que vontade de chorar”.

Onde foi possível, botaram tachas. Onde não foi, também. São os estilistas-papagaios comungando da mesma hóstia, perdidos em sua missão de criar.

Eu, que não quero ser tachada de chata, rezo quietinha uma Ave Maria e um Pai Nosso, na esperança de que o jeans da vitrine não tenha aplicado, nos bolsos de trás, o mesmo enfeite da coleira do cão Boxer da vizinha.

Tacha, só se for com xis, dos juros e juras de amor.

Spike, só o Lee.

Crônica de minuto #48

Quando fizemos o primeiro ultrassom do nosso filho, a médica disse que ele nasceria, provavelmente, entre os dias 24 e 29 de dezembro. Como mãe, minha primeira ordem foi: “Não nasça nesses dias, meu filho”. Falei-lhe sobre a forte concorrência com a festa de aniversário do Menino Jesus, a enorme possibilidade de todos os seus amigos estarem viajando nessa época etc. Ele, por garantia, obedeceu. E levou tão a sério o que eu dissera, que foi preciso uma cesárea no Dia de Reis. O garoto não queria saber de vir ao mundo.

Quando fizemos o primeiro ultrassom da nossa filha, a médica disse que a data provável para o parto seria 16 de outubro. Por coincidência, dia do aniversário do pai. Este abriu um sorrisão. “Calma”, ela disse. “É só uma previsão”. Como pai, seu primeiro pedido foi assertivo, quase uma torcida particular. Igual ao irmão, ela tratou de atendê-lo. Nem foi preciso marcar cirurgia; ela chegou no dia combinado.

Hoje, ele finge não me ouvir quando lhe peço para tomar banho e arrumar seu quarto. Ela se recusa a comer a salada e recolher os brinquedos.

Lembrei-me de uma passagem d’O Pequeno Príncipe. Disse o rei, que gostava de dar ordens razoáveis e cumpríveis: “Se eu ordenasse que um general se transformasse em gaivota, e o general não me obedecesse, a culpa não seria do general, seria minha”.

O rei está certo. Mas ele não disse nada sobre banhos, arrumações e saladas.

A mães e pais não cabe tanta razoabilidade assim. Nosso reinado é outro.

Enquanto você se depila

depilação 1

Enquanto você se depila o planeta segue rumo, a prumo, em acontecimentos diversos, simultâneos, coincidentes, aleatórios. A órbita planetária é precisa e afiada – como a lâmina gentil que escanhoa sua pele sob a água do chuveiro.

Toda sorte de movimento se dá no decorrer desse breve período. É a lâmina universal a fatiar eventos, carregados de significados sabidos e não-sabidos. Nascimento, aniversário, desjejum, aula, reunião, amor, desamor, morte – morrida e matada – caminhada, sono, pensamento, risada, choro.

Tudo enquanto você, solitariamente, se depila.

Se a primeira faz tchan e a segunda faz tchun, minhas axilas desafinaram na Quinta de Beethoven; já é sexta-feira.

É no banho matinal que executo a poda dessa região. Água lava e leva tudo: o pelo e o meu apelo por um dia bom. O pensamento escapa do sossego azulejado e viaja; quero estar um lugar onde eu possa, de fato, sentir a transpiração do universo. Onde fica o sovaco do mundo?

Não dou paz aos pelos que ali brotam: dia sim, dia não, empunho a guilhotina portátil e não deixo nem um para contar história. Recém-nascidos, eu os toso, sem piedade. Eles não perdem a esperança; continuam crescendo e se multiplicando. Pelos têm rara obstinação.

Uso, somente nelas, um barbeador de plástico, em versão com frufrus ergonômicos, próprios para minhas mãos pequenas e meus olhos femininos. Não há barba, porém. Mas estou eternamente vinculada ao objeto masculino, que sequer trocou de nome para me servir.

Sonhava, com onze anos, em depilar as pernas. Os pelos adolescentes não combinavam com a pré-moça que me habitava. Autorizada pela minha mãe, dei cabo deles. Faço isso há trinta e cinco anos. Nunca me perguntei o porquê.

Depilação é eterna refação. É, também, atestar e validar a vida; em morto não nasce pelo. É preciso agradecer, portanto, o pelo nosso de cada dia.

Enquanto me depilo, a fé é cega. A faca, amolada. O barbeador, cor-de-rosa.

Estou pronta. Venha, dia.

A consultora

makeup

Fui atacada por uma consultora de beleza e quero fazer um B.O.

Eu, que só queria olhar os batons expostos na mesinha, enquanto aguardava minha vez com a manicure, fui abordada por uma, que fazia demonstração no salão. Eu, que só fui educada, como mamãe ensinou.

Quando dei por mim, estava com o cartãozinho dela nas mãos e sendo coagida a dizer qual dia era melhor para ela ir à minha casa fazer uma apresentação sem compromisso. A esta altura, meu punho já estava tomado de amostras de base líquida com FPS 30, em diversas tonalidades, até que ela encontrou o tom “peeerfeito” para mim.

Aliás, não foi uma abordagem; foi um estupro. Um estupro comedogênico, obstruidor do meu direito inalienável de flanar pelo salão, ler revistinhas, tomar café. Um crime que não entra nas estatísticas da violência, mas também deveria ser considerado hediondo e inafiançável.

Contra minha vontade, ela mostrou defeitos em minha pele que eu nem sabia que tinha. “Está vendo esta manchinha aqui?”. Olhei-me no espelho. “Some tudo com o nosso corretivo. Você não vai querer saber de outra coisa!”. Espantou-se com minha rotina de maquiagem para os dias úteis, composta de apenas dois itens – lápis, batom – e por eu não saber o que é primer facial. Quase convenceu-me de que eu não poderia mais viver sem uma máscara para cílios ultra-alongadora à prova d’água.

Consultoras de beleza são um perigo. A polícia deveria distribuir folhetos com dicas para se proteger delas.

O que elas chamam de consultoria, eu chamo de inquisição com foco em vendas diretas: querem saber o seu tipo de pele, examinam suas linhas de expressão, questionam o que você come. Mostram o catálogo inteirinho sem que você peça, pedem seu telefone celular, residencial e email para um cadastro, sondam em que horário você está em casa.

Para meu azar, a manicure estava atrasada.

Orei por um celular tocando (meu ou dela); torci por um princípio de incêndio no local, uma batida de carros em frente ao salão. Ninguém, nem nada, veio em meu auxílio. Acabei, enfim, conhecendo também o quarteto de sombras minerais de fórmula exclusiva por apenas quarenta e nove reais e noventa centavos.

Foi quando tirei o casaco – um calor lá dentro – e ela informou que tem uma amiga que revende lingeries. “Qual número você usa?”.

É crime organizado.

Mais louco é quem me diz

Arte: Gustavo Peres

Arte: Gustavo Peres

Ela toca a campainha do asilo, é dia de visita. Caminha com seu visitado até o jardim, param ao lado do pé de acerola. Um aparelho de som instalado sobre uma cadeira garante a trilha sonora de chiados; a ausência da antena não incomoda ninguém ali, exceto ela. Bancos de cimento carcomidos formam um semicírculo, estabelecendo a geografia do encontro. Eles sentam-se lado a lado. Na pauta, passado e presente. O futuro chegou faz tempo, trazendo seus velhos. É sábado.

Uma senhora que mora ali passa pelos dois, resolve entrar na conversa. É a visita dentro da visita. Escolhe seu lugar na quase roda, se apresenta. Beira os setenta anos, está cheia dos colares, dos anéis. A velha interfere no encontro, como os chiados do rádio interferem na tarde de sábado. Ela modifica a pauta estabelecida, mas não se acanha; segue contando sua fabulosa e não menos carcomida vida. Eles vão lhe dando corda.

Diz que participou da última edição do Big Brother Brasil, mas saiu antes do final. “Muita fofoca”. Pergunta três vezes o que ela é dele. Avisa que precisa descansar, tem gravação logo mais. Gravação? A novela das sete, ela é uma das atrizes. “Nunca assistiu?”. Levanta-se, ajeita um dos colares e se despede dos dois, que permanecem nos bancos de cimento. Antes, ela faz questão de anunciar: está grávida. O bebê nasce por esses dias. É um menino.

Ligações perigosas

Arte: Lohan Gunaweera

Arte: Lohan Gunaweera

Confesso: gosto de desligar o telefone na cara dos outros, quando os outros me enchem “os pacová” (minha avó falava assim). Se a prosa vai mal, se a comunicação foi liquidada, cerimônia não é comigo: deixo meu interlocutor no vácuo, encerro o assunto, boto ponto final – ainda que unilateral – na conversa. Fazer o quê. É minha primitiva vingança, meu prazer chulo e secreto, a satisfação do instinto subdesenvolvido que também habita meu ser.

Não foi assim que mamãe ensinou, bem sei.

Antigamente, quando os trambolhentos telefones ficavam numa mesinha no canto da sala, fazer isso causava não só uma afronta pessoal, mas uma lesão auditiva. Do outro lado da linha, a pessoa quase sentia o baque seco do fone no gancho (gancho? Eu disse gancho?). Quanto mais forte a porrada no aparelho, maior o desaforo.

Hoje, o impacto físico do ato, digamos, rebelde, é discreto. Chega a ser elegante. Basta tocar a tela de um smartphone ou, quando muito, apertar uma tecla, para encerrar aquela DR bombástica. A tecnologia minou o aspecto cênico dos embates verbais não-presenciais, estragou a teatralidade do tele-bate-boca, arruinou o desfecho do barraco de longa distância. Quase cortou o meu barato.

Minha porção mal-educada costuma vitimar, invariavelmente, os entes mais próximos e queridos (quem explica?): marido, pai, irmãos. Embora meus alvos prediletos também incluam, com frequência, voluntários de instituições de caridade, atendentes de telemarketing, cartões de crédito e telefonia celular, além do dono da pizzaria que atrasa meu pedido em mais de uma hora. Jamais pratiquei o vil hábito, no entanto, com chefe ou cliente. Berra quem pode, ouve quem tem juízo.

Desligar na cara resume o “não tenho mais nada a falar com você”. Resolve a parada sem democracia, cidadania ou direito a réplica. Tem efeito similar a bater porta, levantar-se da mesa no restaurante e ir embora. Pior que lixar as unhas placidamente enquanto o outro profere o diabo. Com a diferença de que, ao telefone, não se pode conferir a expressão de fúria do ultrajado. Um mistério a mais na relação?

Pior que desligar enquanto o outro fala é não atender quando o outro liga de volta para tirar satisfação. É o ápice da impiedade.

O inferno me aguarda, bem sei.

Cavalo dado…

Arte: Gustav Klim

Arte: Gustav Klim

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia. A TV Jockey é um deles.

Quem assiste?

Sempre que zapeio e passo pelo canal 2, tudo que vejo é a sonífera imagem de uma câmera estática e dois ângulos distintos, igualmente monótonos. Cavalinhos correndo. Cavalinhos correndo. Nem áudio tem; um relincho sequer. Eis o resumo da programação. Turfe deve ser bom para adormecer bebês.

Qual é a charada por trás dos derbies televisionados?

Talvez sejam mal-intencionados alienígenas que, infiltrados nesse esporte, estão empenhados em dominar nosso planeta através dos meios de comunicação. Basta analisar os nomes dos cavalos: Sabor a Triunfo, Undostais, Gandalf The Grey.

Pode ser que, no fundo, tudo não passe de uma seita secreta, cujos membros se comunicam por códigos – trifeta, quadrifeta – que só os iniciados entendem.

Estou quase convencida, porém, de que há uma mensagem subliminar no negócio, cujo objetivo desconheço. Mudo rápido de canal, receosa de viver uma experiência do tipo Poltergeist, onde espíritos do mal relincham e dão coices.

Tais elucubrações me levam ao passado. Em 1876 o Jockey Clube de São Paulo realizou seu primeiro páreo no Hyppodromo Paulistano, no bairro da Mooca. Nasci ali. Na minha época, no entanto, ele já não existia mais. Só restou o logradouro, batizado em sua homenagem: rua Hipódromo. (Embora o hipódromo não ficasse nela, e sim na rua Bresser.) Cavalos, ali, só os das eventuais carroças; os primos pobres das celebridades equinas de outrora.

Não sei de ninguém que assista a TV Jockey. Também não conheço, nem nunca ouvi falar de alguém que tenha o hábito de apostar em cavalos. É uma categoria de seres similar à dos ganhadores da Mega Sena e dos sorteados com carros e casas. Eles existem, embora nunca tenhamos visto um.

O canal, presente em meu pacote de TV por assinatura, é um insondável mistério. Nem adianta querer removê-lo da grade. Cavalo dado não se olha a audiência.

Refúgio

Arte: Marie W.

Arte: Marie W.

Há uma lei universal e implacável, sobretudo sacana, que estabelece: sempre que você sair mal ajambrada de casa – mesmo que não seja esse o seu hábito – , a probabilidade de topar, ainda que ao acaso, com um amigo ou conhecido, da categoria dos que adoram puxar papo, é imensa. Noutras palavras: é batata.

Ela avista a ex-colega de trabalho no supermercado, não se viam há anos. Feliz reencontro? Que nada. Ela está na pior versão de si, com praticamente tudo por fazer: cabelos, unhas. Nem um lapisinho aqueles olhos viram, desde o amanhecer. Corretivo para as olheiras? Não. Uma coerência mínima entre a parte de cima e a de baixo? Qual o quê. Em termos de aparência, no horóscopo do dia ela é lua fora de curso. Trombada solar. O próprio apocalipse. Não há outra opção, exceto a fuga.

Quem mandou acertar o relógio para despertar às 7 p.m., e não 7 a.m.? Quem mandou ceder aos caprichos do sedutor edredon, implorando por mais dez minutinhos de puro romance assexuado? Quem mandou escolher as primeiras peças da pilha de roupas para guardar, sem se preocupar se ornavam ou não? Quem mandou engatar uma tarefa após a outra, ao longo do dia, sem encontrar tempo para reconfigurar o prejudicado layout? Quem mandou ir naquele supermercado?

Quem nunca?

Fugir é a única alternativa. No entanto, nada há em casa para o jantar. Ela terá, então, de se esquivar, se esconder, se camuflar, fazer mimetismo com os vidros de palmito. Ou meditação transcendental expressa, para alcançar a iluminação, o desapego e a invisibilidade.

Ela vê, por uma fresta da gôndola, a colega escolhendo pão de forma. Trata de seguir para o corredor oposto, na seção de hortifrútis. A missão: sair do seu campo de visão. Caso contrário, a colega, de tão alegre, perguntará como ela tem passado e, dadas suas más condições, desnecessária será a resposta. Inquirirá o que tem feito da vida, se tem visto o pessoal, vai sugerir trocarem emails, se adicionarem no Facebook. Um constrangimento sem tamanho para quem não tem nem certeza se passou desodorante. Ela cogita largar o carrinho de compras ali mesmo. Quem precisa de tomates?

Fosse um encontro casual com a vizinha ou a mãe de um amigo do filho, nem tudo estaria perdido. Ela seria beneficiada pela convivência: “Puxa, normalmente ela não é assim”. Mas não. Posto que, assim como levou anos para reencontrar a colega, serão outros tantos até o próximo esbarrão n’algum canto qualquer da cidade. A colega levará consigo, definitivamente, sua imagem como a mulher mais relaxada, descabelada e mal-cuidada do universo. Em sua memória, a partir de então, um único arquivo estará disponível. Algo como um link permanente, incapaz de ser editado ou excluído.

O negócio é buscar refúgio no setor de ferramentas.

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