Ilustração: Bill Tozier/Flickr.com
Deu seta, parou no acostamento ao lado do telefone de apoio. “Faltam duzentos e vinte quilômetros, Araras é uma lonjura”. Tirou o fone do gancho, chamou. Enquanto aguardava, na estrada o caminhão carregado de galinhas deixava para trás uma nuvem de penas. “Bicho besta, esse”. Do outro lado a moça atendeu, resmungou um blablablá qualquer e perguntou:
- Em que posso ajudar?
- Nada, não. Só queria conversar um pouco.
Outro caminhão, desta vez uma cegonha, carregada de carros-bebês. Ele, que fora trazido por uma cegonha estúpida, nunca vira uma de verdade. Nem arara. Só galinha.
- Não entendi, senhor. O senhor precisa de auxílio?
- Não. Parei pra prosear. Calorão, hein?
A atendente pôs no mudo e fez sinal para a colega, “Outro doido”.
- Senhor… O senhor se encontra em alguma emergência, houve algum acidente?
Duzentos e vinte quilômetros, ainda. Estrada gosta de solidão, e vice-versa.
- Deixa eu perguntar uma coisa. Você acredita em cegonha?
Solidões podem ser emergentes, mas nunca acidentais. A atendente tinha mais o que fazer. Desligou.





fev 03, 2012 @ 19:51:35
Gosto de acompanhar tuas viagens.
Sil, eu também iniciei um tipo de viagem e queria ver se você não inventa um jeito de participar…
http://arteamiga.wordpress.com/2012/02/03/minibiblioteca-e-mais/
Jô
fev 03, 2012 @ 10:40:49
Adorei a ideia da cegonha carregada de carros.
bjo