O retrato
07 out 2011 5 Comentários
em Crônicas Tags:amizade, bebê, fotografia, gestação, gravidez, tecnologia, telefone celular
Ilustração: Mr. Pony/Flickr.com
Pediram ao rapaz que passava para tirar uma foto deles, queriam se registrar com seus novos olhares. Olhar de quem acabara de ver o resultado do exame que mudaria suas vidas dali prováveis trinta e seis semanas. Eufórico, sem ouvir a resposta – se o rapaz poderia ou não fazer a gentileza, e se estivesse atrasado para a aula? –, o futuro papai lhe entregou o celular e correu montar a pose junto à futura mamãe. Era um desses aparelhos de última geração, simples para uns, objeto de ficção científica para outros. O rapaz ficou imóvel, a câmera de não sei quantos megapixels focalizando a calçada e um canto da floreira de antúrios meio murchos.
– Vai, tira! – disse a moça, excitadíssima sob sua nova condição, posicionando o exame em frente à barriga ainda inalterada.
O rapaz chamou o pai de lado.
– Como é que faz? – sussurrou. Carecia de uma ajudinha técnica.
– Enquadra e clica aqui.
O pai voltou para seu posto, a moça agora experimentava outras posições. Exame ao lado do rosto grávido, o dedão para cima, informando o óbvio ‘positivo’.
– Vai logo, moço! – pediu, congelando o sorriso.
– Enquadro, até aí ok. Depois onde aperta, mesmo?
O pai, de seu lugar, relembrou:
– Nesse botãozinho aí embaixo, está vendo?
A moça mudara novamente o exame de lugar. Agora queria que os dois fizessem um coração com as mãos, e ela, com a mão livre, seguraria o papel à sua frente. Ficou meio complicado, mas eles deram um jeito. A ocasião merecia o esforço.
– Enquadrou? – perguntou o pai.
– Enquadrei. Agora é só ‘bater’?
– Isso, é só ‘bater’! – responderam, num aflito coro. As mãos em processo de câimbra, o tal coração.
A moça grita, “Para tudo!”.
– Na frente do laboratório, amor. Pra gente se lembrar que foi aqui que fiz o exame.
Posicionam-se, se abraçam, montam o coração de mãos, lá vai o exame pro lugar, assim, pronto.
– Vai, moço!
– Onde é que aperta, mesmo?
A barriga dela começaria a crescer, e nada de foto. Oh paciência! Tudo na vida é gestação.
Desfizeram o abraço, desmontaram o coração, ela dobrou o exame ao meio, suspirou. O pai foi lá mostrar o processo ao rapaz, tim-tim por tim-tim. Que assistia, entusiasmado, completamente envolvido em sua missão.
– Segura assim…
– Seguro…
– Enquadra…
– Enquadro…
– E aperta aqui.
Click!
– E aperto. Entendi, pode ir lá com ela.
Abraço, coração de mãos, exame, pronto.
– Vai, moço!
– Espera um pouquinho… Isto aqui é assim mesmo?
Vinte e cinco minutos depois, amigos e parentes conferiam a recém-parida foto-notícia no Facebook da moça. Com os três, abraçados e sorridentes. Sem firulas com o exame e nada de coração de mãos, que isso era besteira. E a legenda, que ninguém entendeu: “Nosso bebê nasce em junho. Este é o Osmar, que também está muito feliz por nós”.



out 31, 2011 @ 11:13:10
Oi, gente. Eu sou o Osmar. Prazer.
[Identificação define! husauhsa]
out 08, 2011 @ 08:50:03
Curti!
out 07, 2011 @ 10:49:28
Heheheheheheheheheheheheheheheheheheheheheheheheheheheeheheheheheheheheheheehehehehehehehehehe…
out 07, 2011 @ 09:59:02
Meu pai em? Um tabefe nesse Osmar. Ou no pai? Ou na mãe eufórica e indecisa em seus ângulos?
Engraçado imaginar tudo isso…
Bjs querida!!
out 07, 2011 @ 07:19:14
Eu Ri!!!
Manda esse moço, o Osmar, vir fazer um curso básico de fotografia comigo, pra não pagar mais esse tipo de mico… kkkk
http://www.descobrindoafotografia.com
Xêrooo