O fio da antiga meada – III

Está mais do que na cara. Gosto mesmo de gatos. E não é de hoje. Na sessão flashback do blog, outro texto da pasta vermelha para vocês. Escrito em 1992, aos 25 anos. Sonhando com amores, príncipes encantados e coisa e tal. Em tempo: Doris, a destinatária desta espécie de carta, viveu conosco por quinze anos. Encontrei-a, ainda filhote, abandonada numa estação do metrô. Naquele dia, ela foi comigo para o trabalho, escondida dentro da mochila. Difícil foi convencer o chefe que não havia gato nenhum ali.

Ilustração: Marina Cuello/Flickr.com

Doris

Viaja no tempo, a tempo de trazer de volta o desenho que fiz dele enquanto dormia. Vai, minha gatinha. Cruza qualquer oceano e grita, de onde estiver, caso ele esteja lá. Mergulha e volta breve para me abraçar, porque estarei triste.

Torna a voar, com asas de pelo e mel; avisa se o vir pelo ar. Mas volta tranquila, se nem assim o achar. Doce gatinha, precisava te contar. Anda até antes de tudo para achá-lo. E volta. Dá um beijo se sim, uma piscadela se não. Conforme for, seca meus olhos. Mas diz que não olhou direito.

Doris, Doris. Pensa e responde em qual rua vive o melhor da minha vida, que se vê tão esquecida na cor do seu olhinho, quase desmanchando de soninho. Mas, se nessa pressa de saber onde ele mora, você perceber, então, que é em mim, inventa rápido um jeito de avisar.

Boa noite, Doris.

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