Ilustração:Amy-Wong.com/Flickr.com
Pessoa-livro. Cada dia com ela é uma página: a gente vai descobrindo a história aos poucos. E no capítulo final, das três, uma: ou a gente entendeu tudo, ou não entendeu nada, ou pensa que entendeu. Aí, só mesmo lendo tudo de novo. É quando o casamento se faz necessário, que é para ler um pouco por dia. Tem as pessoas que, de tanto que já escreveram, viraram livros de fato: Você já leu Drummond? Tem a pessoa-prosa: ela vai contando as coisas e você fica lá até o fim, deliciado. E tem a pessoa-verso: vive rimando os acontecimentos da vida, dando a tudo um sentido especial.
Pessoa-música. Umas, a gente ouve uma única vez e já está bom. Outras, a gente quer ouvir sempre, decorar a letra, traduzir, fazer versão. Tem aquela que a gente descobre por acaso, se apaixona, e passa o resto da vida tentando por no iPod. Tem as que desafinam, e as que são capazes das notas mais impossíveis. No céu de todas elas, repare, há sempre uma clave de sol brilhando.
Pessoa-quadro. Estas aqui são como as pinturas dos grandes mestres: você não se cansa de admirar. Cada vez que as vê, repara num detalhe que não tinha visto da última vez. Algumas dão até vontade de roubar. Só para pendurar na sala. Outras – gostem ou não do traço, da técnica, do tema – não morrem jamais. Ficam eternizadas na memória. Pena que, para algumas, a gente só dê valor quando elas desaparecem.
Pessoa-arte abstrata. Quanto mais você a observa, menos a entende. Mesmo assim, ela atrai o seu olhar. Você não sabe qual é a dela, nem para quê ela serve, muito menos o que ela quer com você. Uma incógnita.
Pessoa-escultura. Não adianta: você tem que tocá-la. Descobrir do quê é feita, conferir as formas, saber se é macia, áspera, fria ou quente. Se pulsa ou se é inerte. Às vezes, é preciso olhá-la de todos os ângulos para compreender-lhe as dimensões. É o tipo de pessoa que a gente deseja carregar nos braços de vez em quando.
Pessoa-filme. A pré-estreia dela são os minutos anteriores ao seu nascimento: só gente especial pode assistir. Depois, quando ela entra em cartaz, todo mundo pode acompanhar o desenrolar da história. Que pode ser de amor ou não. Pode ser triste, pode ser alegre. Pode ter aventura ou ser um drama. Às vezes, comédia. Mas que fique claro: ninguém faz cinema por acaso. Tem, por fim, as pessoas que são como os filmes antigos, clássicos. Essas nunca saem de moda. E todo mundo deveria assisti-las de vez em quando. Elas têm um bocado a ensinar.


10 comments
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16/11/2009 às 7:27
Bel
Fantástico! Sabe o que percebi? Que você só categorizou pessoas positivamente. Isso diz muito sobre você… Quem prefere enxergar o positivo, vive muito melhor!
Ah, você podia ME fazer um favor enorme? No feed do seu blog só aparece o primeiro parágrafo. Please, configure para aparecer o post completo… quem correr feito louca, como eu, nem sempre consegue ir a cada blog para ler… e assim termino às vezes perdendo de ler muita coisa boa. Agradeço muito se você puder fazer isso!
Bjooo e boa semana!
13/11/2009 às 15:59
Layla Barlavento
Esqueci do www!
Beijos sempre
Layla
culpadowalter.blogspot.com
13/11/2009 às 15:58
Layla Barlavento
Passei aqui novamente só pra ver se conseguimos enganar o wordpress. rsrsrsrs.
Obrigada pelo carinho de sempre!
Beijos na alma
Layla Barlavento
culpadowalter.blogspot.com
10/11/2009 às 16:17
Laély
Você, é como um bom livro: diverte, ensina, faz refletir, emociona…daquele tipo que a gente sai grifando os parágrafos que mais gostamos para poder reler, sempre que desejarmos.
10/11/2009 às 15:41
Taffarel brant
Sil, querida.
As pessoas-livros e filmes são as que mais me conquistam.
de fato!
abraços!
09/11/2009 às 13:16
Camila
Sil, posso te dar uma classificação diferente dessas? Apesar de ter de tudo um pouco das que você escreveu, eu acho que você é a pessoa-dança. A diferença é que ao invés de você usar o corpo para dar harmonia, movimento, sequencia e expressão você usa as palavras. Que vão se ligando e seguindo o compasso da sensibilidade, da beleza, do carinho e do amor. É visível.
Beijo grande,
Camila
09/11/2009 às 10:41
monica paiva
O bonito é gente sabr conviver bem com as pessoas, porque ela são diferentes.
Com carinho Monica
Uma boa semana
09/11/2009 às 10:03
Pri
Lindo!!!!!!!!!!
09/11/2009 às 7:36
Rafa
E não é que amo as artes em geral?!
rs
09/11/2009 às 7:33
Ana Paula Monteiro
Sillll,
eta post para refletir.
Estou aqui pensando que pessoa sou, que pessoa vc é….rs..rs.
Me dá um palpite??
Beijos
Ana