
Era uma vez uma cidade. Na cidade havia uma avenida. Na avenida tinha um canteiro. No canteiro, duas árvores. Mais exato: duas palmeiras. Que cresceram juntas. Não só juntas, mas entrelaçadas. E, não se sabe desde quando, as palmeiras da avenida vivem num eterno abraço. Na verdade, ninguém sabe se é abraço ou quase beijo.
Irmãs, talvez elas se abracem para se proteger da cidade, do barulho, da bagunça. Amantes, talvez se enlacem para ensaiar o beijo. Que jamais acontece. Como se, a despeito da vida correndo ao lado delas, elas vivessem em pause. Igual a gente faz quando assiste um filme, se queremos ver os detalhes de uma cena, precisamos beber água, atender o telefone, ouvir o que o filho quer.
As palmeiras da avenida são estátuas talhadas em madeira, como aquelas pessoas pintadas de branco imitando estátuas no sinal. Com algumas diferenças. Primeira: o tipo de seiva que corre dentro de cada uma. Segunda: palmeiras, assim como todas as árvores, não nos pedem dinheiro. Não precisam.
Quando a cidade cochila, por certo as palmeiras da avenida se largam por alguns instantes. Dão uma volta, vão conversar com as amigas ao longo do canteiro. E logo retornam aos seus postos.
Para assistir ao abraço – ou quase beijo – das palmeiras é preciso apertar outro botãozinho no controle remoto que comanda a vida: o da câmera lenta. Assim se vê melhor as coisas.
(Campineiros em slow motion podem assisti-las na avenida Júlio Prestes. Pertinho do Balão da Bela Vista. Foto: Silmara)




fev 14, 2013 @ 15:22:08
emocionante isso querida…
meu coração ficou mais leve, obrigada…
beijos grandes!!!
abr 04, 2010 @ 17:47:05
Lindo!Nossa vida é um filme,que quando necessário é preciso câmera lenta.E se podéssemos,gostaria de dar pause pra que os momentos inesquecíveis fossem como o velho ditado:”eterno enquanto dure”.Até…
jan 21, 2010 @ 16:27:05
Descobri seu blog através do blog da Martha… É o q sempre digo: blog bom atrai blog bom… Adorei esse seu texto sobre beijo e abraço, abraço e beijo, quase os dois, mais que um, menos que dois… Enfim, gostei do que escreveu. Ja escrevi sobre beijo tambem e se vc se puder, dê uma conferida. Parabéns pelo blog.
(Longo e saboroso beijo) http://alledimitri.blogspot.com/2007/01/longo-e-saboroso-beijo.html
ago 25, 2009 @ 14:16:54
São grandes amigas, certeza. Porque nada é melhor que um abraço demorado e carinhoso de um amigo. Um abraço com o coração, com cabeça debruçada no ombro e bochecha pedindo beijo. Daqueles que dão força pra gente continuar nessa correria…
ago 25, 2009 @ 09:45:47
Aposto que são amantes.
De longa data.
Que se todos os dias se abraçam enquanto conversam banalidades.
Mas que à noite, se amam: profundamente.
ago 24, 2009 @ 15:17:41
Silmara,
Quando coloquei um link pro seu blog no meu post não imaginava sua ilustre visita. Vi aquele texto seu linkado em vários outros lugares, é realmente incrível, como tudo aqui, aliás.
Espero que visite mais vezes e que goste!
abraço
ago 24, 2009 @ 14:52:38
ORGULHO DE CAMPINAS!
Oh cidade q adoro! rs
e concordo com Álvaro, elas se beijam qdo a cidade cochila, rs
linda foto, Silmara, ainda mais pq vc focalizou mto bem… parabéns, pra quem conhece, nosso parque da lagoa do Taquaral bem atrás!
bjs
da Li
e ótima semana…
ago 24, 2009 @ 12:57:05
Só para variar, nos emocionando, não é, Silmara?
Bom demais saber que o “câmara lenta” ainda é lembrado por alguém; que eu o aperte todos os dias, sempre.
ago 23, 2009 @ 23:51:31
Que crônica gostosa de ler! E assim é. Só com o botão da câmera lenta é possível ver melhor as coisas, pudera eu dominar esse botão.
Reflexão maravilhosa, faz-nos refletir tanto através de palmeiras talvez pouco notadas. Amei
ago 23, 2009 @ 19:00:23
Virei fã, já…
Com certeza elas se beijam quando a cidade cochila… com certeza!
ago 23, 2009 @ 10:18:11
Aiaiai…
Tão lindo que doeu…
Bom domingo pra vc amiga!
Nara