Alegrante

cici joey cauboi - daniel duendeIlustração: Daniel Duende/Flickr.com

Justiça seja feita. Assim como este mundo de meu Deus tem coisas que me tiram do sério, há aquelas que me põem na alegria e também merecem uma lista. Confesso: deu trabalho. Mas ela tem 29 itens (para combinar com o dia), contra as 24 da semana passada. Está decidido: sempre haverá mais coisas alegrantes do que irritantes.

1. Motoristas que freiam para o cachorro atravessar. Para o gato. Ou para as galinhas que moram aqui na rua de cima.

2. Na padaria, quando peço o pão de queijo do balcão e o atendente diz: Esse não. Eu vou lá dentro buscar um fresquinho para você.

3. Experimentar uma roupa numa loja e ver, ainda que com certa indignação inicial, a sinceridade da vendedora: Não ficou muito bom, não.

4. Rever uns bons trocados com o programa Nota Fiscal Paulista.

5. Saber que a história do cãozinho Bob teve um final feliz.

6. Ver que, finalmente, pais e mães estão tendo direitos e deveres iguais quando se separam e há filhos na parada.

7. Saber que tem um desenho animado infantil produzido no Brasil fazendo o maior sucesso num canal de TV paga, onde reinam os importados.

8. Quando ligo num SAC qualquer, o atendente promete ligar de volta para resolver meu problema, e liga.

9. Ver que a cachorrinha que nós recolhemos da rua, doente e faminta, hoje é gorda e feliz.

10. Quando vou pagar algo e percebo que estou sem dinheiro algum na carteira e o caixa, que às vezes nem me conhece direito, diz: Você acerta depois. (Eu sempre acerto depois.)

11. Descobrir que tenho saldo para sacar do FGTS, daquela conta que eu havia dado por encerrada há séculos.

12. Poder ficar tranquila em casa. O bloqueio do PROCON à praga do telemarketing funciona.

13. Ver, todos os anos, que minha mamografia está normal.

14. Quando escrevo para alguém famoso e ocupado, sem esperar por uma resposta, e ela vem.

15. Saber que, apesar da AIDS ainda não ter cura, as pessoas que carregam em si o HIV não estão mais condenadas à morte.

16. Entrar em roupas que eu tenho há dez anos. (OK, ficam só um pouquinho apertadas.)

17. Pedir para a costureira reformar um vestido que estava rasgado, e ele ficar mais bonito do que quando era novo.

18. Lembrar de quando meu filho tinha três anos e pedia para ouvir Villa-Lobos (“Aquela música do trenzinho, mãe”).

19. Ele pedir até hoje.

20. Ver que uma história triste contada num blog ganhou fãs pelo país, virou livro e já não é mais tão triste.

21. Saber que as pessoas me dão dez anos a menos. (OK, sete.)

22. Ver um comercial de pomada com novos modelos de famílias.

23. Tentar assistir a um espetáculo teatral infantil, e os ingressos estarem esgotados.

24. Uma das minhas melhores amigas na adolescência tentou e conseguiu me encontrar, depois de trinta anos. Conversamos como se tivéssemos nos visto ontem, na aula de Ciências.

25. Saber que desconhecidos já deram carona para meu pai até em casa, porque ele havia se perdido pela cidade.

26. Ouvir com meus filhos as músicas da Palavra Cantada. E gostar. Muito.

27. Descobrir um monte de tecidos perdidos há anos no armário, que estão virando roupas novas e bonitas.

28. Quando escrevi sobre a Lygia Fagundes Telles aqui, um monte de gente bacana quis me ajudar a chegar perto dela. E cheguei.

29. Assistir CQC toda segunda-feira.

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