Irritante

Ilustração: Daniel Duende/Flickr.com

Não tem aquele programa Irritando Fernanda Young? Pois então. Eu não tenho programa de TV, mas listo aqui 24 coisas que me irritam neste mundo de meu Deus. É para combinar com o dia de hoje, 24.

1. Quando digo que não como carne vermelha nem frango e as pessoas perguntam com aquela cara de espanto: Mas o quê você come, então? Às vezes, só para variar, respondo: arroz, feijão, abobrinha, brócolis, tomate, batata, aveia, pão, requeijão, peixe, biscoito salgado, biscoito doce, ovo, brigadeiro… e só paro quando a pessoa diz: OK, já entendi.

2. O termo “sanduíche natural”. Esse eu nunca consegui compreender a definição. Tem frango, maionese com ovos.

3. Quando há alguma campanha em prol dos animais e as pessoas dizem: Com tanta gente passando fome… Então está bem. A gente pára tudo no mundo e não faz mais nada para ninguém. Porque tem gente passando fome, não é?

4. Porta-toalhas de papel que diz: Bastam duas folhas para secar as mãos. Você usa duas e termina de secar as mãos na roupa.

5. Anúncios de Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal. Poderiam usar os mesmos todos os anos, porque os motes, surradíssimos e pra lá de caricatos, são sempre os mesmos. Sem falar nos que circulam na época do Carnaval, cheios de confete e serpentina. Ou em junho, onde tudo vira arraiá, num idioma que nem caipira de verdade sabe o que é. É de lascar.

6. Anúncios de telefonia celular. Dos institucionais eu até gosto, mas os promocionais… Um tem pacote de duzentos minutos, outro de quinhentos (como se o ligador controlasse isso, ou tivesse noção desse tempo), no outro fala-se por um ano de graça com não sei quem. Finjo que não vejo.

7. Lojas de sapatos. Você pede aquele modelo, naquele número. Não tem, e o vendedor traz um modelo absolutamente diferente, dois números maior e diz: Trouxe esse para você ver.

8. Março, 36 graus, sol de rachar côco. As lojas colocam suas coleções de inverno nas vitrines, e você vai encontrar uma camisetinha de manga curta lá no fundo, na última arara. Sem contar o ar-condicionado, que desce para 15 graus. É para sugestionar, como disse uma vez uma vendedora.

9. Aquelas etiquetas enormes e pinicantes nas roupas, com instruções de lavagem, composição dos tecidos. Algumas vêm até com o a indicação do lugar para você recortá-las. E depois ninguém se lembra se a peça pode ir à secadora ou não.

10. Troco menor que R$ 0,05. Ninguém dá. Deve haver, portanto, algum critério misterioso ou supersticioso que faça existir preços terminados em 96, 97, 98 ou 99 centavos.

11. Quando você vai comprar um carro o vendedor afirma: Vermelho é um charme. Você fica na dúvida e ele garante: Não tem mais essa de cor mais ou menos valorizada. Quando você vai vender: Xi, vermelho não tem muita saída.

12. Na praia. Por que 99% dos donos das barracas acham que as pessoas que vão à praia só querem comer tranqueira? Gordura não combina com praia. Nem com biquíni.

13. Na praia II. Por que 99% dos donos das barracas acham que as pessoas que vão à praia só querem ouvir pagode?

14. Na praia III. Você resolve sair com uma calça comprida e alguém se espanta: Você não vai por um shortinho?

15. Combustível. De onde vem o hábito de colocar o preço com três casas decimais? E a terceira é beeem pequenininha. Aquela vendedora da loja de roupas diria que “é para sugestionar”.

16. Quando eu digo que minha filha se chama Nina e a pessoa pergunta: Mas é o nome ou apelido?

17. Quando eu digo que meu filho se chama Luca e a pessoa vem conversar com ele: Então, Lucas…

(Quem mandou colocar esses nomes.)

18. Estrangeirismos. Em geral, são todos ruins e fora de contexto. Mas os que batizam prédios e condomínios são os piores. Você pede uma pizza pelo telefone, e na hora de dizer onde mora é aquele martírio.

19. Embalagens. Lenço umedecido: quem é consegue abrir o pacote e tirar o primeiro, sem antes estragar uns dez?

20. Embalagens II. Caixa de leite longa vida: primeiro você precisa de uma faca ou tesoura para abri-la. E depois, de uma habilidade ímpar para servir o primeiro copo sem espalhar leite pela pia.

21. Embalagens III. Iogurte de potinho: impossível tirar o papel de uma vez só. Vai rasgando, rasgando.

22. Aquelas caixinhas de morango, com os maiores e mais bonitos por cima, e os menores e nem tão bonitos por baixo. Enganação descarada. Aquela vendedora da loja de roupas diria que “é para sugestionar”.

23. Aqueles papeizinhos pequenininhos, os comprovantes das compras com cartão. Vão se amontoando na carteira. Quem é que confere aquilo tudo depois, ó Senhor?

24. Esse não irrita mais, mas já irritou muito quando eu era criança. Sempre que fazia um desenho alguém dizia: Que bonito… o que é? Se fosse uma pessoa: Que bonito… Quem é?

Diz se não é para sair do sério.

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7 responses to “Irritante

  • Luciana

    Hehehe! Quando eu era criança, detestava que perguntassem os nomes das minhas bonecas – elas nem sempre tinham nomes, oras!

  • terracotabolsas

    Adorei sua lista, Silmara! Ri um bocado aqui, especialmente quando a vendedora dizia: “é para sugestionar…”

    E na linha do “quem disse que todo mundo na praia quer ouvir pagode?” acho o fim da picada aquelas festinhas em que o som é tão alto que ninguém consegue nem ouvir o som da própria voz, quanto mais conversar… pior que isso, só se a música for pagode.

    Beijos!

  • Raquel

    Estou rindo horrores aqui! Esse eu tive que parar pra comentar! Eu tenho uma péssima mania de enumerar essas coisas que a maioria das pessoas pensa, mas vive tão no “piloto automático” que nem repara mais! As vezes tenho a impressão que sou meio neurótica (*só impressão, né?*), mas se tem uma coisa que eu odeio com todas as forças, com uma raiva quase uterina (*nem é exagerada*), é o senso comum. Se a gente para 2 segundos para reparar como uma coisa que todo mundo acha normal não tem o menor fundamento, com certeza sua lista caía de 24 itens para 4! A propósito, a número 1 foi óóótima!! Uma vez, só por falta do que fazer, disse que me sentia super bem comendo manga com leite, e todo mundo me perguntou: “mas não faz mal?” hehehe

  • Cecília

    Silmara, cheguei no seu blog hoje. Tinha mil coisas legais demais pra comentar, mas resolvi dividir com vc apenas uma coisa que me fez mais feliz. uma plaquinha em banheiro público que em vez de sugerir – bastam 2 folhas – dizia: poupe a 3a folha. não dá a sensação de estar poupando uma árvore? parabéns pelo blog. em tempos de proliferação de escritores, a sua escrita foi muito bem vinda.
    Cecília

  • nina

    Ahahaha, é de irritar mesmo :)
    ser vegetariano é sofrer um bocado né? As pessoas nao entendem de maneira nenhuma.. e cá pra nós, eu tbm nao entendo como alguem pode nao querer comer churrasco ahaha, eu adoro churrasco, carne brasileira, aaaahhh que saudade de carne saborosa…

    Nina, rsrs, eu tbm ja ouvi muito isso :) Muito mesmo.. Nao povo, eu nao me chamo Janaina, e nem Amazonina, eu sou Nina, Nina!!!!!!!! Amazoninha seria dose! ahahahha

    Um beijo Si

  • Debora

    Sil, estou adorando ler você. Digo isto porque não consigo apenas ler o que você escreve, leio conhecendo , leio admirando.
    Parabéns!!!! Adorei este texto….também fico irritada com muitas coisas que vc citou , acho que farei minha listinha!!!
    Beijos e muito sucesso!!!!!!
    Debora

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