Para o Kim

Ilustração: Dupo X-Y/Flickr.com

.

Kim

Me conta como é ser gato.

Porque gato não precisa fazer nada

Só precisa ir vivendo.

Não tem que apagar a luz ao sair

Nem acender ao entrar

Nem pagar conta

Nem ouvir gente chata.

Não tem que usar roupa

Nem sapato

Nem cobertor

Nem desodorante.

Muito menos sair correndo

Para tirar a roupa do varal

Quando começa a chover.

Kim

Me conta como é que reage um gato

A um assalto.

Olha tranquilo para o bandido?

Não altera um pelo

E lava a pata

E espera o tiro.

Ou nem sabe do tiro.

E quando ele vem

Morre-se, sem maiores delongas.

Mas vem cá: quem é que assalta gato?

Kim

Me diz como é ser gato.

Se é bom ou é ruim

Se tanto faz ou se tanto fez.

Ou isso é um engano danado

Das pessoas que pensam

Que não há nenhuma razão

Nas coisas que são e nas coisas que não são?

Kim

Penso, enfim, que ser gato deva ser um bom negócio.

Mas, me fala, gato é capaz de assistir a um bom filme?

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4 responses to “Para o Kim

  • V. Linné

    Quantas vezes já me perguntei algo assim?

    Quando o Kim responder, avise. ;)

  • Laély

    Já me peguei iimaginando, por muitas vezes, como deve ser bom ser um gatinho, como o meu: adorado por todos da casa, comida, na hora que pede, água da torneira, fresquinha, todas as camas e sofás disponíveis da casa, um quintal, pra se divertir, caçando lagartixas e passarinhos…Ê, vidão! É um privilegiado.

  • Silmara

    Eu queria perguntar ao meu gato, o qual se chama Gato, o que e que ele pensa de mim.
    Sera que me ve como um felino gigante sem pelo, como uma colega de quarto, como mae, como irma? Ou talvez Deusa?
    Creio que ele se ve mais como um Deus pra mim do que eu pra ele. Talvez me veja como escrava.
    O meu gato assiste filmes comigo, mas nao gosta de televisao, o barulho do comercial o incomoda. Os filmes tem o volume certo. Rs.
    Ca pra nos, eu tenho um pouco de inveja do meu gato.

  • beto ruschel

    Cumadra.

    Ocê lembra do menininho Kim do Kipling?

    Nome curtinho prum chela tão arguto, né?

    Eu lembrei tanto, que meu filho, menino de 34 anos, chama igual.

    Juntei tudo, chelas, filhos, terceiro olho e o monge caçando a terceira margem do rio perdido no caminho. Acho o máximo aquela pintinha que indianos (as) usam na testa pra não esquecer de olhar pra dentro.

    Bração.

    Cumpadro

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